País
Fernando Alexandre prepara-se para responsabilizar diretores um a um se notas não saírem
O ministro da Educação não via ao início da noite desta sexta-feira razão validada para que as notas dos exames do 12.º ano não fossem afixadas pelas escolas para consulta de pais e alunos. Perspetiva de Fernando Alexandre que o levou a deixar uma promessa durante uma entrevista no Jornal da Noite da SIC: se as notas não forem lançadas, se as escolas não afixarem as pautas hoje devido ao encerramento dos serviços "eu vou precisar da justificação do diretor e será pedido individualmente a cada um se isso acontecer".
Misto de aviso e ameaça, quando algumas escolas fizeram saber ao final da tarde que apenas lançariam as notas na segunda-feira, as declarações do ministro da Educação vão no sentido do cumprimento da promessa que Fernando Alexandre foi deixando ao longo dos últimos dias de manter o calendário escolar como estava definido.
Questionado sobre a possibilidade de algumas escolas não afixarem as pautas hoje devido ao encerramento dos serviços, o ministro da Educação sublinhava na entrevista ao Jornal da Noite da SIC que “teria muita dificuldade em perceber que, pelo facto de as notas chegarem às 19h30, não seriam lançadas [hoje] (uma vez que) hoje não é um dia normal”.
“Pode acontecer, mas eu vou precisar da justificação do diretor, e será pedido individualmente a cada um se isso acontecer”, disse Fernando Alexandre.
As escolas só ao final da tarde desta sexta-feira receberam classificações do Júri Nacional de Exames, tendo alguns estabelecimentos informado encarregados de educação e alunos de que as notas só serão disponibilizadas amanhã, sábado.
No entanto, o ministro insiste que “os diretores têm essa responsabilidade, têm a responsabilidade de preparar as equipas” e lembra que professores e diretores escolares “são servidores públicos”.
Os custos para a manutenção desta promessa passam desde já por um pormenor invulgar, eventualmente inédito no sistema escolar português: há alunos que aparecem nas pautas sem uma classificação definitiva, com a designação “suspenso”.
A informação constava de um comunicado do EduQA, que considera “adequado assegurar a publicação das classificações dos exames nacionais do ensino secundário, ainda hoje, dia 17 de julho de 2026, até às 19h30”, alertando contudo que as provas "com itens em falta estarão sinalizadas nas pautas com 'suspenso'".
Adianta que irá "posteriormente definir o procedimento a aplicar às provas com itens em falta, nomeadamente em sede de consulta, reapreciação ou reclamação".
Cerca de uma hora antes da entrevista à SIC, o ministro da Educação fazia uma primeira pressão sobre os diretores das escolas numa comunicação em que pedia “mais um esforço dos Diretores dos agrupamentos de escolas e das escolas não agrupadas” para que as notas – “enviadas às escolas até às 19h30” - pudessem ser afixadas antes do final do dia.
Esta pressão sobre professores e diretores tem sido constante nos últimos dias. Outra constante no responsável máximo pela educação em Portugal tem sido a responsabilização dos atores do setor que não da sua equipa ministerial: primeiro instando os professores a cumprir com as correções, depois com a pressão sobre os diretores para que afixem as notas até final desta sexta-feira. Um apontar de dedo que foi antecedido por observações acerca da marcação de férias dos pais dos alunos ou utilização de agrafos nas folhas das provas.
Em relação à avaliação do seu desempenho nesta época de exames, Fernando Alexandre diz que vai aguardar pela auditoria que procurará as falhas no processo de avaliação das provas e apenas depois dos resultados do processo estará disponível para assumir as suas responsabilidades.
Questionado sobre a possibilidade de algumas escolas não afixarem as pautas hoje devido ao encerramento dos serviços, o ministro da Educação sublinhava na entrevista ao Jornal da Noite da SIC que “teria muita dificuldade em perceber que, pelo facto de as notas chegarem às 19h30, não seriam lançadas [hoje] (uma vez que) hoje não é um dia normal”.
“Pode acontecer, mas eu vou precisar da justificação do diretor, e será pedido individualmente a cada um se isso acontecer”, disse Fernando Alexandre.
As escolas só ao final da tarde desta sexta-feira receberam classificações do Júri Nacional de Exames, tendo alguns estabelecimentos informado encarregados de educação e alunos de que as notas só serão disponibilizadas amanhã, sábado.
No entanto, o ministro insiste que “os diretores têm essa responsabilidade, têm a responsabilidade de preparar as equipas” e lembra que professores e diretores escolares “são servidores públicos”.
Também na entrevista à SIC, o governante garantia o acesso por parte dos alunos às suas notas através da plataforma digital Inovar. "Mesmo sem a escola estar aberta, os diretores podem divulgar a nota do aluno e o aluno vê a nota na plataforma", vincou.
Alunos com exames em "suspenso"
A informação constava de um comunicado do EduQA, que considera “adequado assegurar a publicação das classificações dos exames nacionais do ensino secundário, ainda hoje, dia 17 de julho de 2026, até às 19h30”, alertando contudo que as provas "com itens em falta estarão sinalizadas nas pautas com 'suspenso'".
Adianta que irá "posteriormente definir o procedimento a aplicar às provas com itens em falta, nomeadamente em sede de consulta, reapreciação ou reclamação".
"Superior interesse dos alunos"
O ministro sublinhava “o elevado empenho, esforço, disponibilidade e forte sentido de responsabilidade dos professores classificadores, manifestados de forma excecional nas últimas semanas, permitiram concluir a classificação dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário realizados na 1.ª fase” e termina com um pedido de desculpas, lamentando “o transtorno causado aos alunos, às famílias, aos professores e às escolas pelos atrasos no envio das classificações aos estabelecimentos de ensino”.
Não deixava contudo de invocar o “superior interesse dos alunos e das famílias neste momento” para pedir um esforço suplementar.
Esta pressão sobre professores e diretores tem sido constante nos últimos dias. Outra constante no responsável máximo pela educação em Portugal tem sido a responsabilização dos atores do setor que não da sua equipa ministerial: primeiro instando os professores a cumprir com as correções, depois com a pressão sobre os diretores para que afixem as notas até final desta sexta-feira. Um apontar de dedo que foi antecedido por observações acerca da marcação de férias dos pais dos alunos ou utilização de agrafos nas folhas das provas.
Em relação à avaliação do seu desempenho nesta época de exames, Fernando Alexandre diz que vai aguardar pela auditoria que procurará as falhas no processo de avaliação das provas e apenas depois dos resultados do processo estará disponível para assumir as suas responsabilidades.